O trágico ataque ao Instituto São José, que abalou a capital acreana, completa uma semana nesta terça-feira, 12. O crime, cometido por um adolescente de 13 anos, resultou na morte das servidoras Alzenir Pereira da Silva, de 56 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 36, e deixou duas pessoas feridas.
Após sete dias, o sentimento de luto agora se funde à reorganização dos protocolos escolares e aos novos desdobramentos da investigação policial.
Investigação: sigilo e novas evidências
Em entrevista ao portal A GAZETA, nesta terça-feira, 12, o delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Pedro Paulo Buzolin, destacou que o caso é tratado com “extrema responsabilidade e delicadeza”. Embora o inquérito tramite sob sigilo para preservar a eficácia das apurações, o delegado trouxe atualizações importantes.
A polícia confirmou a apreensão de dois carregadores de munição que estavam em posse do adolescente no momento do ataque. “Ele estava portando mais de um carregador; essa informação procede e já havia sido difundida, agora confirmamos a apreensão”, afirmou Buzolin.
Sobre a dinâmica dos disparos, a perícia ainda trabalha nos laudos técnicos. “Ainda não podemos divulgar detalhes sobre o número exato de disparos efetuados nem quantos atingiram as vítimas, mas todas as provas estão sendo coletadas por uma equipe dedicada exclusivamente ao caso”, pontuou o delegado.
O que já foi apurado
- O autor: O adolescente de 13 anos, aluno da instituição, se entregou no quartel da Polícia Militar logo após o crime. Ele foi interrogado, onde confessou o crime e, segundo a polícia, não demonstrou arrependimento. Ele teve a internação decretada pela Justiça, após pedido do Ministério Público do Acre (MPAC) e segue em um centro socioeducativo.
- A arma: O autor utilizou uma pistola .380 pertencente ao seu padrasto, o advogado Ruan de Mesquita Amorim. O padrasto foi detido em flagrante no dia do crime, liberado após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e exonerado de seu cargo comissionado no governo estadual. Em vídeos publicados nas redes sociais, o padrasto disse que não tinha conhecimento de que o adolescente sofria bullying e que não participava dos assuntos escolares dele.
- Vítimas: Além das duas servidoras que morreram no crime, uma estudante de 11 anos e outra funcionária foram atingidas, mas já estão fora de perigo. As duas sobreviventes do atentado receberam alta hospitalar e seguem em recuperação domiciliar sob monitoramento psicossocial do Estado. Elas não quiseram dar entrevista.RECEBA NOTÍCIAS NO CELULAR
Retorno das aulas e novos protocolos
Após uma semana de suspensão para reestruturação interna, as aulas na rede pública de ensino do Acre retornam nesta quarta-feira, 13. O período de pausa foi utilizado pela Secretaria de Educação e órgãos de segurança para a definição de novos protocolos de acesso e segurança nas unidades escolares.
O governo anunciou o reforço da segurança itinerante e a ampliação de programas preventivos. Além disso, uma equipe especializada do Ministério da Educação (MEC) colabora no suporte psicossocial para alunos e funcionários que lidam com o trauma.
O que falta esclarecer
Apesar da confirmação dos carregadores extras, a polícia ainda busca respostas para perguntas fundamentais:
- Motivação e possível influência externa: A Polícia Civil e o Gaeco (Ministério Público) analisam o celular do jovem para identificar possíveis influências em fóruns digitais ou comunidades que estimulam violência extrema. O adolescente agiu sob orientação de grupos online ou influência de terceiros?
- Conhecimento prévio: Outros alunos sabiam do plano? A investigação apura se houve omissão de informações por parte de conhecidos do atirador.
- Dinâmica dos disparos: O laudo final do IML detalhará a sequência do ataque, o que ajudará a entender o trajeto do atirador dentro da escola.
- Câmaras de segurança: A Polícia teve acesso às câmeras de segurança do Instituto São José?
O Delegado Pedro Paulo Buzolin garantiu que todas as denúncias recebidas pela Polícia Civil sobre possíveis ameaças ou temas relacionados estão sendo averiguadas rigorosamente. “Até o presente momento, nada de concreto além do que já foi exposto foi confirmado, mas seguimos em alerta total”, concluiu.

