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Rachadinha, relação com Vorcaro e emendas: a situação de Mário Frias em meio a ‘Dark Horse’

Por Redação Juruá em Tempo.25 de maio de 20265 Minutos de Leitura
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No centro da polêmica que envolve a produção do filme “Dark Horse”, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) se tornou alvo de denúncias do PT e do PSOL na Procuradoria-Geral da República (PGR) por suposta prática de “rachadinha”. Na última sexta-feira, uma ex-funcionária afirmou ao g1 que devolveu parte de seu salário ao então chefe de gabinete do parlamentar, com ciência de Frias, entre fevereiro de 2023 e março de 2024. Além disso, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobrou informações sobre emendas enviadas por Frias a uma ONG ligada ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), do qual o deputado é produtor-executivo.

Além da PGR, a bancada do PT na Câmara dos Deputados também irá acionar o Conselho de Ética da Casa. Eles alegam haver “indícios de lavagem de dinheiro” nas transações do deputado ligadas ao filme, e pedem apurações sobre as denúncias da ex-funcionária.

Já o PSOL, conforme mostrou o colunista Bernardo Mello Franco, do GLOBO, apresentou uma notícia-crime por meio do deputado Chico Alencar (RJ). Segundo o g1, a ex-funcionária identificada como Gardênia Morais quitou uma fatura de crédito da mulher do deputado e fez um PIX de R$ 1.000 para a mãe dele:

— O deputado sabia, o deputado estava ciente de todas as devoluções. Foi um combinado inicial, o deputado sempre participa. E depois as tratativas do dia a dia ocorriam com o (Raphael) Azevedo, que na época era o chefe de gabinete, braço direito do deputado — contou Gardênia.

Denúncia de rachadinha

Um dos comprovantes mostra que a ex-funcionária fez um PIX de R$ 1.000 em 29 de janeiro de 2024 para Maria Lucia Frias, mãe do parlamentar. Outro comprovante indica que, em dezembro de 2023, a ex-funcionária pagou uma fatura do cartão de crédito de Juliana Frias, esposa do deputado, no valor de R$ 4.832,32.

Nomeada secretária parlamentar em fevereiro de 2023, a ex-funcionária de Frias tomou cinco empréstimos consignados no valor de R$ 174.886. Parte do montante foi transferido ao então chefe de gabinete, segundo o g1. Gardênia afirma que somente um dos empréstimos foi feito para uso pessoal.

— Dos cinco empréstimos, um é meu particular, no restante todos foram feitos a pedido do deputado e do Raphael Azevedo para quitar dívidas de campanha [de 2022]. Os empréstimos foram feitos e eles não foram quitados, estão todos em aberto no Serasa — disse a ex-funcionária.

A ex-funcionária afirmou que houve mais repasses além do identificados pelo g1, que somam R$ 35.116. Gardênia diz ainda que “tinha mais pessoas devolvendo” o salário no gabinete, além dela. Em março de 2024, a ex-funcionária fez um saque de R$ 49.999,99 em dinheiro vivo. Ela não revelou a quem os valores foram entregues.

Cobranças de Dino

Em meio aos desgastes, Frias cumpre missão oficial no Bahrein. A viagem frustrou as tentativas de Dino de notificar o parlamentar para que ele preste informações sobre emendas enviadas para a empresa ligada à produtora do filme sobre Bolsonaro.

Por conta disso, o ministro oficiou o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que preste informações, em até 48 horas, sobre a “situação funcional” do deputado. Dino quer saber, inclusive, sobre o período autorizado pela Câmara para que Frias participe da missão oficial. De acordo com a assessoria de imprensa da Casa, o deputado apresentou pedido de missão oficial no período de 12 a 18 deste mês.

Em resposta, Frias disse, em um post publicado no X na manhã de quinta-feira, que “soube pela imprensa” que Dino “gostaria de algumas informações” sobre ele. O deputado afirmou que chegará ao Brasil nesta segunda-feira (25) para um “encontro ao vivo, ocasião em que será uma ótima oportunidade para prestar todos os esclarecimentos que desejar”.

Contradições sobre filme

Mensagens de áudio reveladas pelo site Intercept Brasil, na semana passada, mostram Frias agradecendo ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pelo apoio financeiro à produção do filme sobre Bolsonaro.

O filme ganhou destaque após a revelação de áudios em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, cobra dinheiro a Vorcaro por supostas “parcelas para trás” que estariam atrasadas para a produção da obra. O montante pago ultrapassou R$ 60 milhões dentre os mais de R$ 130 milhões previstos no contrato de patrocínio, conforme mostrou o GLOBO.

“Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?” , diz Frias na mensagem.

A divulgação marcou contradições de Frias sobre o caso. Logo após a publicação sobre Flávio, ele disse que o filme não havia recebido um “único centavo” do banqueiro. Depois, quando senador reafirmou a negociação, Frias alegou que havia “interpretações diferentes” das manifestações sobre o financiamento do filme — já que Vorcaro teria utilizado a empresa “Entre Participações” para fazer o repasse, e não o próprio Master.

Por: O Globo.
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