O Acre registrou uma redução de 57,6% na taxa de homicídios de indígenas entre 2023 e 2024, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O estado passou de uma taxa de 52,8 homicídios por 100 mil indígenas em 2023 para 22,4 em 2024.
Em números absolutos, foram registrados três homicídios de indígenas no Acre em 2024, contra seis no ano anterior.
Os dados colocam o Acre com a menor taxa de homicídios indígenas da Região Norte entre os estados que registraram ocorrências em 2024. O índice acreano ficou abaixo dos registrados no Amazonas (47,8), Roraima (172,9), Pará (9,0) e Rondônia (0,0, sem registros no ano).
Apesar da queda recente, o relatório mostra que a violência letal contra indígenas apresentou oscilações significativas ao longo da última década no estado. Em 2014, a taxa era de 28,5 homicídios por 100 mil indígenas. O indicador atingiu o pico em 2023, quando chegou a 52,8, antes da redução observada em 2024.
Brasil volta a registrar aumento
No cenário nacional, o Atlas da Violência aponta uma mudança de tendência após anos de redução. A taxa de homicídios de indígenas no Brasil subiu de 23,4 para 24,6 homicídios por 100 mil indígenas entre 2023 e 2024, crescimento de 5,1%.
Foram contabilizados 248 homicídios de indígenas em todo o país em 2024, ante 227 no ano anterior.
Segundo os pesquisadores, embora a violência letal contra indígenas tenha apresentado queda ao longo da última década, os dados mais recentes indicam uma recomposição das desigualdades na exposição à violência quando comparada à população não indígena.
Em 2024, a taxa de homicídios entre indígenas foi aproximadamente 22% superior à taxa nacional registrada para a população em geral.
Amazonas e Roraima concentram maiores índices
O estudo destaca que a violência contra indígenas não está distribuída de forma homogênea pelo território nacional e tende a se concentrar em áreas marcadas por conflitos fundiários, disputas territoriais e expansão de atividades econômicas sobre territórios tradicionais.
Na Região Norte, o Amazonas registrou um dos maiores aumentos do país. O número de homicídios de indígenas passou de 36 em 2023 para 73 em 2024. A taxa saltou de 21,4 para 47,8 homicídios por 100 mil indígenas, crescimento de 123,4%.
Roraima permaneceu com o cenário mais crítico do país. Mesmo com redução em relação ao ano anterior, o estado registrou taxa de 172,9 homicídios por 100 mil indígenas em 2024 e contabilizou 60 mortes.
Outro estado que chamou atenção foi a Bahia, onde os homicídios de indígenas passaram de 13 para 24 casos em um ano, aumento de 84,6%.
Já o Mato Grosso do Sul manteve uma das maiores taxas do Brasil. Em 2024, foram registrados 34 homicídios de indígenas e uma taxa de 122,8 por 100 mil habitantes indígenas.
Violência ligada a conflitos territoriais
De acordo com o Atlas da Violência, a dinâmica da violência contra povos indígenas difere do padrão predominante de homicídios observado no restante do país.
Enquanto a violência letal nacional costuma estar associada principalmente à criminalidade urbana e ao crime organizado, os homicídios de indígenas tendem a ocorrer em áreas de fronteira econômica e em territórios marcados por conflitos fundiários, disputas socioambientais e pressões relacionadas à exploração econômica.
O estudo também ressalta que os números podem ser ainda maiores do que os registrados oficialmente, especialmente em regiões onde há elevada incidência de mortes violentas classificadas inicialmente como causas indeterminadas.

