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Apple subirá preços do iPhone devido a custos de memórias para IA

Por Redação Juruá em Tempo.19 de junho de 20264 Minutos de Leitura
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A Apple vai aumentar os preços dos seus smartphones, segundo o próprio CEO da companhia, Tim Cook, em uma entrevista ao The Wall Street Journal. A razão é simples: houve uma escalada drástica nos gastos com componentes de armazenamento e memória, que ocorre primordialmente por conta da corrida de inteligência artificial (IA).

“Infelizmente, os aumentos de preços são inevitáveis”, disse Cook, ao WSJ. Ele complementou explicando as dificuldades da empresa de tecnologia: “Estamos fazendo o nosso melhor para mitigar os reajustes enormes que estão nos repassando e tentamos proteger nossos clientes, mas a situação se tornou insustentável”.

O direcionamento em massa de chips de armazenamento e de memória (DRAM) para equipar servidores de inteligência artificial gerou um desequilíbrio no mercado. Essa migração de insumos fez com que os custos quadruplicassem desde o ano passado, impulsionada por investimentos pesados de companhias como Meta, Amazon, Google e Microsoft.

De acordo com projeções publicadas pelo WSJ, essa tendência de encarecimento deve se manter até 2027. A expectativa é que o repasse financeiro desses custos deve aumentar o valor do próximo iPhone Pro em até US$ 270, algo inédito até então.

A escassez atual decorre do fato de os fabricantes de semicondutores priorizarem as demandas do setor de inteligência artificial. Um estudo do banco Morgan Stanley citado pelo WSJ aponta que, mesmo com a capacidade de fabricação de discos de silício para memória RAM deve avançar 30% até 2027, o volume voltado a eletrônicos comerciais vai ficar até 15% abaixo do que o mercado necessita.

Além disso, entidades de indústrias automobilísticas, varejistas e tecnológicas enviaram um apelo formal a secretários do governo norte-americano alertando sobre os riscos de desabastecimento e encarecimento generalizado de produtos cotidianos, segundo informações da Reuters.

A conjuntura atual forçou alterações de preços em produtos de concorrentes como Nintendo, Dell e Hewlett-Packard, de acordo com a reportagem. O WSJ também mencionou estimativas do Morgan Stanley indicando que computadores e celulares podem ficar 15% mais caros nos Estados Unidos ainda este ano.

No caso específico da Apple, a situação se choca com a dependência histórica de cobrar margens mais altas por atualizações de espaço interno e com a necessidade de mais memória para rodar sistemas locais de inteligência artificial, a exemplo da nova Siri.

Tim Cook não chegou a estipular nenhum tipo de meta financeira ou até mesmo datas para as mudanças, mas o calendário da Apple prevê a chegada da família iPhone 18 e de uma versão com tela flexível para setembro, período no qual ele também transmitirá o comando executivo para John Ternus, segundo reportagem da Reuters. Modificações pontuais já foram registradas anteriormente, a exemplo do reajuste aplicado ao Mac Mini no mês passado, pontuou o WSJ.

Cook afirmou na entrevista que nunca testemunhou tamanha volatilidade de valores em mais de quatro décadas de atuação no setor de suprimentos, definindo o momento recente como “esta é uma enchente de proporções históricas”.

O executivo detalhou que o gargalo se concentra especialmente no segmento de DRAM devido ao foco produtivo em memórias de alta largura de banda (HBM), afirmando ao veículo: “Há menos oferta em um momento no qual os consumidores querem dispositivos, e os fabricantes de memória estão repassando aumentos de preços gigantescos”.

“Definitivamente precisamos que os preços e o fornecimento de memória retornem a níveis razoáveis para produtos de consumo. Essa é a questão central”, disse Cook ao WSJ.

Para tentar contornar a crise de abastecimento, Cook declarou que a empresa cogita mobilizar o próprio balanço patrimonial da companhia para assegurar contratos de fornecimento. Porém, conforme detalhado pelo WSJ, grandes corporações de nuvem vêm fechando contratos de longo prazo com adiantamentos bilionários, um modelo que desafia a tradicional moderação de gastos da Apple.

O CEO descartou a possibilidade de erguer complexos industriais próprios para chips: “Não podemos fazer tudo”, justificou, concluindo que “Sabemos no que somos bons.”

Cook foi questionado pela reportagem sobre a viabilidade de recorrer a fornecedores chineses, que despontam no setor mas esbarram em travas de segurança nacional dos Estados Unidos. Ele defendeu uma postura de abertura comercial. “Acho que tudo precisa estar na mesa”, ressaltando na sequência que “Acho que deveria olhar para todas as fontes de suprimento.”

Enquanto isso, as principais detentoras dessa tecnologia, como Micron, SK Hynix, Samsung, Kioxia e Sandisk, experimentaram valorizações acionárias expressivas no último ano, com saltos que variaram de 800% a 4.600% na esteira dos lucros inflados pelo mercado corporativo.

Por: InfoMoney.
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