Luzes que cruzam o céu, objetos sem identificação e relatos de movimentos incomuns fazem parte de um acervo oficial mantido pelo governo brasileiro. No Acre, cinco ocorrências envolvendo Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) – atualmente classificados como Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs, na sigla em inglês) – foram registradas pela Força Aérea Brasileira (FAB) e integram os documentos disponibilizados para consulta pública no Arquivo Nacional.
Embora esteja entre os estados com menor número de notificações oficiais do país, o Acre aparece na relação de ocorrências encaminhadas à Aeronáutica por meio do sistema de monitoramento do espaço aéreo brasileiro. Os registros integram o chamado Fundo Objeto Voador Não Identificado, criado para reunir documentos produzidos por órgãos militares ao longo das últimas décadas.
O que dizem os registros
Os documentos oficiais reúnem informações elaboradas por militares durante atendimentos a ocorrências envolvendo objetos ou luzes que não puderam ser identificados no momento da observação.
Entre os relatos constam descrições de luzes com comportamento considerado incomum, mudanças bruscas de direção, variações de velocidade e deslocamentos sem identificação imediata. Os registros, no entanto, não concluem a origem dos fenômenos nem apontam qualquer evidência de atividade extraterrestre.
Segundo o Arquivo Nacional, o acervo reúne centenas de documentos produzidos pela Aeronáutica, incluindo relatórios técnicos, croquis, registros de radares, comunicações entre torres de controle e depoimentos de pilotos e controladores de voo.
A tabela abaixo, baseada no padrão de avistamentos catalogados pela Aeronáutica no país, ajuda a entender como esses registros oficiais se dividem e quais características foram observadas nas ocorrências envolvendo o Acre.
Luzes na floresta: o caso de Tarauacá
Além dos registros oficiais da FAB, um dos episódios mais conhecidos envolvendo supostos fenômenos aéreos no Acre ocorreu na região de Tarauacá, em terras da comunidade indígena Yawanawá.
O caso ganhou repercussão após o pesquisador ufológico e engenheiro eletrônico Rony Vernet visitar a região para investigar relatos de moradores. Segundo os depoimentos coletados, objetos luminosos de coloração alaranjada eram vistos sobrevoando a floresta durante a noite.
As testemunhas relataram a presença de “orbes” – esferas de luz intensa – que se movimentavam rapidamente sobre as copas das árvores, mudavam de tamanho e desapareciam de forma repentina. Alguns desses fenômenos chegaram a ser registrados em vídeo e repercutiram entre pesquisadores da área.
Até hoje, porém, não existe conclusão oficial sobre a natureza das luzes observadas na região.
Fenômeno sem explicação não significa origem extraterrestre
Especialistas em astronomia e ciências atmosféricas ressaltam que um objeto classificado como “não identificado” não representa, necessariamente, evidência de vida extraterrestre.
A classificação utilizada pela FAB indica apenas que, com as informações disponíveis naquele momento, não foi possível determinar a origem do fenômeno. Em muitos casos, investigações posteriores apontam explicações relacionadas a balões, satélites, meteoros, lixo espacial, fenômenos atmosféricos ou aeronaves convencionais observadas em condições específicas.
Nos últimos anos, o tema voltou a ganhar espaço após governos, como o dos Estados Unidos, ampliarem a divulgação de documentos sobre UAPs. No Brasil, o Arquivo Nacional também mantém disponível para consulta pública o acervo da Aeronáutica, permitindo que pesquisadores e curiosos tenham acesso aos registros históricos produzidos pelas Forças Armadas.



