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Ataques de Israel ao Irã mostram temor de Netanyahu de que acordo pelo fim da guerra restrinja liberdade de ação israelense na região

Por Redação Juruá em Tempo.8 de junho de 20263 Minutos de Leitura
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Para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, os novos confrontos com o Irã trouxeram ganhos políticos claros — pelo menos no curto prazo. A ofensiva mostrou a sua base política, cada vez mais inquieta, que ele estava disposto a enfrentar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia repreendido Israel no domingo pelos bombardeios nos arredores de Beirute e defendido moderação após a República Islâmica responder aos ataques com o lançamento de mísseis contra território israelense.

Resistir a Trump — ou ao menos demonstrar que o fazia, já que não está claro exatamente o que os dois líderes discutiram em uma conversa telefônica na noite de domingo — era vital para Netanyahu, que aparece atrás nas pesquisas de opinião às vésperas de uma difícil disputa pela reeleição.

Apenas uma semana antes, Trump o havia constrangido em uma ligação marcada por irritação e palavrões, na qual, segundo o próprio presidente americano confirmou posteriormente, chamou Netanyahu de “louco”.

Netanyahu também teme que o acordo que o governo Trump busca negociar com o Irã seja prejudicial para Israel, pois poderia, entre outras consequências, limitar sua liberdade de ação contra o Hezbollah, grupo armado apoiado por Teerã que domina o Líbano. Se a troca de ataques aéreos com o Irã corre o risco de evoluir para uma guerra em larga escala, ela também pode dificultar a concretização de um acordo mais amplo.

Alguns analistas israelenses sugeriram que alguns dias de ataques de Israel poderiam ajudar o país a obter condições mais favoráveis nas negociações com o Irã, ao impor novos danos e custos ao regime iraniano.

— Agora tudo depende do que os iranianos fizerem — afirma Eyal Hulata, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Israel e atualmente pesquisador sênior da Foundation for Defense of Democracies.

Segundo Hulata, a postura triunfalista adotada por Teerã após o conflito — ao afirmar que venceu a guerra contra os EUA e Israel por ter resistido aos ataques e por assumir o controle do Estreito de Ormuz — esconde os danos significativos sofridos pelo país.

— Presumo que eles queriam demonstrar força, não passar algumas semanas vendo caças israelenses sobrevoando seus céus. Eles parecem fortes, mas isso não significa que sejam fortes — destaca.

Sem boas opções

Apesar dos possíveis benefícios de curto prazo, outros analistas alertam que a escalada pode trazer consequências negativas para Israel. Embora o governo israelense considere inevitável responder aos ataques, isso pode colocá-lo em rota de colisão com Trump mais cedo ou mais tarde.

— Não há boas opções aqui — diz Danny Citrinowicz, ex-oficial da inteligência militar israelense especializado em assuntos iranianos.

Segundo ele, se Trump permitir que Israel amplie a ofensiva, o Irã poderá expandir sua resposta por meio de aliados regionais. Além do Hezbollah, no Líbano, e dos houthis do Iêmen — que lançaram dois mísseis contra Israel na segunda-feira e ameaçaram embarcações ligadas ao país no Mar Vermelho — milícias xiitas no Iraque também podem ser arrastadas para o conflito.

Por outro lado, se Trump exigir que Israel recue, isso poderá consolidar uma dinâmica estratégica que o Irã tenta estabelecer há anos. Na prática, reforçaria uma ligação direta entre os cenários iraniano e libanês, permitindo que ataques israelenses contra o Hezbollah em Beirute ou seus arredores sejam respondidos por ataques iranianos contra Israel.

— E a realidade estratégica será pior para Israel — conclui Citrinowicz.

Por: O Globo.
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