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Em abril, Acre manteve quase 9 mil pessoas sob custódia e enfrenta superlotação em presídios, aponta relatório

Por Redação Juruá em Tempo.2 de junho de 20263 Minutos de Leitura
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O Acre chegou ao mês de abril de 2026 com 8.793 pessoas sob custódia do sistema de Justiça criminal, entre presos em unidades prisionais e monitorados eletronicamente. Os números constam em relatório divulgado pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF), do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), com base em dados do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen).

Desse total, 5.422 pessoas estavam recolhidas em estabelecimentos penais e outras 3.361 cumpriam medidas sob monitoramento eletrônico. O levantamento mostra que as unidades prisionais acreanas possuem capacidade real para 3.948 detentos, o que resulta em um excedente de 1.474 presos e uma taxa média de ocupação de 131,89%.

Os dados revelam que a superlotação continua concentrada principalmente nas unidades masculinas de Rio Branco e do interior. A Divisão de Estabelecimentos Penais de Recolhimento Provisório da capital é a que apresenta o cenário mais crítico. Projetada para 759 vagas, a unidade abriga 1.952 presos, operando com ocupação de 257,2%, mais que o dobro de sua capacidade.

Em Cruzeiro do Sul, a unidade masculina registra 818 presos para uma capacidade de 501 vagas, enquanto o presídio de Tarauacá abriga 441 detentos em um espaço destinado a 280 pessoas. Já a Divisão de Regime Fechado de Rio Branco mantém 948 presos para 792 vagas disponíveis.

O relatório mostra ainda que quase um quarto dos presos recolhidos nas unidades físicas aguarda julgamento definitivo. Os presos provisórios representam 23,29% da população carcerária, enquanto 76,13% cumprem pena em regime fechado.

Perfil da população prisional

A população carcerária acreana é formada majoritariamente por jovens. As faixas etárias entre 18 e 24 anos e entre 25 e 29 anos concentram, juntas, 4.426 pessoas, o equivalente a pouco mais da metade dos custodiados no estado.

O levantamento também aponta predominância de pessoas pardas, que somam 7.168 presos, cerca de 81% do total. Pessoas pretas representam 780 custodiados, enquanto 87 são indígenas.

Outro dado que chama atenção é o nível de escolaridade. Mais de 3,8 mil presos não concluíram o ensino fundamental, e outros 1,5 mil têm o ensino médio incompleto, evidenciando a forte presença de pessoas com baixa escolarização no sistema prisional acreano.

Tráfico de drogas lidera ocorrências

Entre os tipos penais registrados, os crimes relacionados ao tráfico de drogas aparecem em primeiro lugar, com 2.458 ocorrências. Em seguida estão os crimes contra o patrimônio, com 2.283 registros, e os crimes contra a pessoa, que somam 1.817 casos.

Também figuram entre os delitos mais frequentes os ligados à organização criminosa, com 666 ocorrências, e os crimes contra a dignidade sexual, que totalizam 749 registros.

Taxa de aprisionamento

Considerando presos em unidades físicas e monitorados eletronicamente, o Acre registra uma taxa de 998,49 pessoas sob custódia para cada 100 mil habitantes, conforme cálculo baseado na população estimada pelo IBGE.

A série histórica apresentada pelo relatório mostra que o número total de custodiados no estado passou de 8.697 em fevereiro para 8.793 em março e permaneceu nesse mesmo patamar em abril, indicando estabilidade em um nível próximo de 9 mil pessoas submetidas ao sistema penal acreano.

Com mais de cinco mil presos em unidades físicas e um déficit superior a 1,4 mil vagas, os dados reforçam o desafio permanente do sistema penitenciário acreano para acomodar a população carcerária e reduzir a pressão sobre os estabelecimentos que operam acima de sua capacidade.

Por: AC24horas.
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