Ramón Calderón, ex-presidente do Real Madrid, afirmou que a saída de Cristiano Ronaldo do clube espanhol foi um erro tanto para o jogador quanto para a equipe merengue. Em entrevista ao jornal português A Bola, publicada nesta sexta-feira, o dirigente relembrou os bastidores da contratação do português, fechada após dois anos de negociação com o Manchester United, e disse que o atacante nunca voltou a se adaptar completamente a outro clube.
“Creio que foi um erro das duas partes. Seguramente a relação não foi boa desde o início, depois, com o tempo, deteriorou-se no final dos anos que esteve aqui. Creio que o presidente não acreditava que alguém fosse capaz de pagar 100 milhões de euros, mas sim, houve um clube disposto a fazê-lo e aí já não teve outra opção senão aceitar a saída do jogador”, lembra.
“Esportivamente foi uma saída muito ruim, embora economicamente tenha sido boa. Mas creio que foi mau para ambas as partes: o jogador nunca se adaptou completamente a nenhum clube fora do Real Madrid, e é impossível encontrar alguém como o Cristiano; há jogadores parecidos, mas iguais ou melhores não existem”, afirmou Calderón.
O dirigente começou sua ligação com o Real Madrid em 1979, quando se tornou sócio. Em 2002, foi nomeado membro da Junta Diretiva e, quatro anos depois, chegou à presidência do clube. Durante seus três anos de mandato, o Real Madrid conquistou, no futebol, dois Campeonatos Espanhóis e uma Supercopa da Espanha. No basquete, venceu uma Liga ACB e uma Copa ULEB.
Como presidente, Calderón montou uma estrutura esportiva liderada por Pedja Mijatovic, então diretor esportivo, e Fabio Capello, técnico da equipe. Naquele período, chegaram ao clube nomes como Van Nistelrooy, Cannavaro, Diarra, Higuaín e Marcelo.
Na temporada 2007/08, Bernd Schuster substituiu Capello no comando técnico. O elenco recebeu reforços como Robben, Pepe, Sneijder, Saviola e Lassana Diarra, e voltou a conquistar o Campeonato Espanhol. Calderón apresentou sua renúncia à presidência do Real Madrid em 16 de janeiro de 2009.
Na entrevista, o ex-presidente também relembrou como se deu a negociação por Cristiano Ronaldo, que acabou sendo concluída em 2009, já sob o comando de Florentino Pérez.
“Sempre disse, e não é falsa modéstia, que não foi mérito meu, mas sim do Real Madrid. Estava lá e o Cristiano Ronaldo tinha interesse em vir, foi só uma questão de chegar a acordo com o Manchester United sobre o valor pelo qual estava disposto a deixá-lo sair, foram 80 milhões de libras, 94 milhões de euros Estivemos dois anos em negociações, o Manchester United, como é lógico, não queria que ele fosse embora, mas o jogador queria sair”, revela.
“Já se sabe que jogadores como o Cristiano acabam indo para onde realmente querem, é impossível segurá-los contra sua vontade. Era, naquele momento, o melhor jogador do mundo ao lado de Messi e, portanto, o mais lógico seria agarrar com as duas mãos a possibilidade de contratá-lo. Correu tudo muito bem, esteve aqui por nove anos, triunfou, ganhou tudo o que podia e, aos 41 anos, continua na linha de frente e acaba de conquistar a liga da Arábia Saudita. É alguém com o talento, a inspiração e a decisão de ser melhor a cada dia, preparando-se com uma intensidade que no final o leva, com a sua idade, a continuar a fazer gols espetaculares e a ajudar a equipe. Foi uma sorte tê-lo aqui e estou muito orgulhoso de ter podido aproveitá”, conclui.
Calderón disse ainda que deixou a contratação praticamente encaminhada para Pérez, seu sucessor na presidência, mas afirmou ter ouvido relatos de que o dirigente teve dúvidas sobre concluir o negócio.
“Não estava lá, mas quem participou da chegada de Florentino disse-me que ele, quando viu aquele contrato, teve muitas dúvidas e parece que hesitava em levá-lo a efeito. Havia inclusive uma cláusula de 30 milhões de euros que deveria pagar a parte responsável pela não formalização oficial do acordo. Segundo me contaram, o Cristiano, quando soube que havia dúvidas, ficou furioso e chegou, inclusive, a estar disposto a renunciar aos 30 milhões e a não vir. Felizmente, houve pessoas à volta de Florentino que o convenceram de que dar marcha atrás seria uma loucura, uma decisão totalmente inapropriada. Por fim, o presidente aceitou, o Cristiano veio e felizmente esteve aqui nesses nove anos de enorme sucesso, e disso há que se alegrar”, afirmou.
Questionado se sonhou com a possibilidade de ter Lionel Messi ao lado de Cristiano Ronaldo no Real Madrid, Calderón admitiu que gostaria de ter reunido os dois maiores jogadores daquela geração, mas reconheceu que a operação era inviável.
“Teria adorado, mas era impossível porque Messi era do Barcelona e nunca o teriam deixado sair, a menos que tomasse a iniciativa, como fez o Cristiano no Manchester United. Mas ele sentia-se feliz no Barça e, portanto, não havia qualquer possibilidade. Foi uma pena porque juntar os dois melhores jogadores do mundo na mesma equipe teria sido fantástico”, disse.

