Samuel Arara, jovem liderança do povo Shawãdawa (Arara) e natural de Porto Walter, foi escolhido para integrar o Programa de Bolsas para Povos Indígenas do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). A formação ocorre em Genebra, na Suíça, e reúne nove indígenas brasileiros entre lideranças de várias regiões do mundo. O objetivo do programa é ampliar o domínio sobre os mecanismos internacionais de proteção dos direitos humanos.
Estudante de Engenharia Florestal na Universidade Federal do Acre (Ufac), Samuel preside o Coletivo de Estudantes Indígenas da instituição (CEI-Ufac) e coordena o Tetepawa Comunica, coletivo de comunicação indígena do estado. Sua atuação reúne a defesa dos direitos dos povos originários, dos direitos da juventude, da justiça climática e a valorização da comunicação como instrumento de fortalecimento cultural.
A etapa preparatória do programa ocorreu em Brasília, antes da viagem à Europa. Nessa fase, Samuel teve formação sobre relações internacionais, direitos humanos e o funcionamento do Sistema das Nações Unidas. Ele permanecerá na Suíça por mais 30 dias para concluir o ciclo de capacitação.
No período de formação, o jovem aprofundará os conhecimentos sobre os instrumentos internacionais de promoção e proteção dos direitos dos povos indígenas. Ele também acompanhará a 19ª Sessão do Mecanismo de Peritos sobre os Direitos dos Povos Indígenas (EMRIP), na sede europeia da ONU.

Para Samuel, a oportunidade significa apresentar à comunidade internacional a realidade dos povos indígenas da Amazônia, com destaque para a juventude. “Chegar à sede das Nações Unidas pela porta da frente é um marco na minha trajetória, mas, acima de tudo, é uma responsabilidade. Não represento apenas a mim mesmo. Trago comigo meu povo, o Acre, a Amazônia, a juventude indígena e todas as comunidades que seguem resistindo na defesa de seus territórios, de suas culturas e de seus direitos”, afirmou.
A secretária de Estado de Povos Indígenas, Francisca Arara, declarou que o aprendizado obtido por Samuel será repassado às comunidades do Acre. “A gente fica muito feliz de ver um jovem indígena do nosso estado chegando tão longe. O Samuel vai levar a voz dos nossos povos para um espaço importante, mas o mais importante é saber que ele volta para casa trazendo esse aprendizado. Esse conhecimento não fica só com ele, será compartilhado com as nossas lideranças, com os estudantes, com as organizações, com as comunidades indígenas”, ressaltou.

