O plano de modernização do campo no Acre esbarra em rodovias complexas e prazos legais. Apesar de mais de 300 equipamentos agrícolas já terem sido entregues, parte do maquinário do projeto Inova — que soma um investimento de R$ 206 milhões — continua retida, gerando cobranças por parte de prefeitos e produtores rurais. Os entraves foram detalhados nesta terça-feira (16) pelo superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no Acre, Paulo Trindade.
O programa Inova é financiado por emendas da bancada federal acreana para fortalecer a agricultura familiar, e os equipamentos atendem prefeituras, o governo estadual e associações do terceiro setor. Em maio, uma solenidade oficial realizou a entrega simbólica dos tratores e maquinários, mas desde então a demora no envio real das máquinas para o interior acendeu o alerta de gestores locais.
Segundo o superintendente do Mapa, o processo exige uma rigorosa análise documental junto ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) antes de cada liberação. Superada a fase burocrática, o estado enfrenta seu maior desafio histórico: a geografia regional.
Se por um lado os municípios de fácil acesso rodoviário já receberam os lotes, por outro, as cidades mais isoladas sofrem com a escassez de transporte adequado.
“Mesmo para os municípios próximos, existe a falta de caminhões-prancha. Essa tem sido uma das grandes dificuldades dos beneficiários para conseguir retirar os equipamentos”, explicou Trindade.
Além do gargalo logístico, o calendário corre contra os gestores. As restrições impostas pela legislação eleitoral para o pleito deste ano limitam repasses e inaugurações públicas, criando uma barreira jurídica que impede a distribuição imediata de tudo o que foi prometido.
Por fim, o Ministério da Agricultura informou que segue trabalhando junto aos municípios parceiros para destravar as vistorias técnicas e acelerar a retirada dos lotes restantes antes que os prazos legais se encerrem em definitivo.

