O Acre está entre os 15 estados brasileiros que registraram focos de calor no mais recente monitoramento divulgado pelo Ministério da Saúde. O informe semanal Monitoramento de Incêndios Florestais para Vigilância em Saúde, publicado nesta terça-feira, 21, aponta que o estado contabilizou 13 focos de calor entre os dias 5 e 11 de julho e reforça orientações para reduzir os impactos da fumaça na saúde da população.
Ao todo, o levantamento identificou 1.153 focos de calor distribuídos em 15 estados. O Tocantins lidera o ranking, com 227 registros, seguido por Mato Grosso (181) e Bahia (122). O Acre aparece entre as unidades da federação com menor número de ocorrências no período.
O monitoramento faz parte do AdaptaSUS, Plano Nacional de Adaptação do Setor Saúde às Mudanças Climáticas, e reúne dados sobre focos de calor, qualidade do ar e população potencialmente exposta à fumaça. As informações são utilizadas para orientar a atuação das equipes de vigilância em saúde e do Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos impactos provocados pelos incêndios florestais.

El Niño aumenta risco de queimadas
Segundo o Ministério da Saúde, o acompanhamento ocorre durante a atuação do fenômeno El Niño, que tem previsão de permanecer até o início de 2027. O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial pode alterar os padrões de chuva e temperatura no Brasil.
Para o trimestre de julho, agosto e setembro, a previsão indica chuvas abaixo da média no Centro-Norte do país e temperaturas acima do normal em praticamente todo o território nacional. Esse cenário favorece períodos de estiagem, reduz a umidade do ar e aumenta as condições para a ocorrência e propagação de incêndios florestais.
Além dos impactos ambientais, a fumaça das queimadas pode comprometer a qualidade do ar e afetar principalmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias, cardiovasculares ou imunológicas.
Riscos à saúde
Entre os indicadores monitorados pelo Ministério da Saúde está o material particulado fino (MP2,5), formado por partículas microscópicas capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório.
A exposição prolongada a elevadas concentrações desse poluente pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares já existentes, além de aumentar a procura por atendimentos médicos e hospitalizações. Por isso, o monitoramento permite identificar municípios e regiões com maior exposição à fumaça e orientar medidas de prevenção e resposta do SUS.
Como se proteger da fumaça
O Ministério da Saúde orienta a população a adotar medidas para reduzir a exposição aos efeitos da fumaça dos incêndios florestais. Entre as principais recomendações estão:
- acompanhar previsões meteorológicas e alertas oficiais sobre queimadas e qualidade do ar;
- aumentar a ingestão de água para manter as vias respiratórias hidratadas;
- evitar atividades físicas ao ar livre quando houver piora da qualidade do ar;
- manter portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração de fumaça;
- utilizar, quando necessário, máscaras do tipo N95, PFF2 ou P100, ajustadas corretamente ao rosto;
- manter o ar-condicionado em modo de recirculação e com os filtros limpos;
- limpar cinzas com panos úmidos, evitando o uso de aspiradores de pó comuns;
- não acender fogueiras, nem jogar bitucas de cigarro ou fósforos acesos na vegetação;
- evitar o uso de fogões à lenha e outras fontes de fumaça dentro de casa.
O Ministério também recomenda atenção redobrada a crianças menores de cinco anos, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, que devem procurar atendimento médico ao surgimento de sintomas respiratórios ou em caso de agravamento do quadro clínico.

