A pastora Regiane Maciel, vizinha da família da menina de 11 anos internada em estado grave após a suposta ingestão de uma mistura contendo soda cáustica e um medicamento, afirmou nesta terça-feira, 7, que apresentou uma nova denúncia à Polícia Civil e entregou áudios que, segundo ela, reforçam as investigações sobre o caso.
Em vídeos publicados nas redes sociais, Regiane disse que decidiu formalizar uma nova comunicação às autoridades após reunir novos elementos relacionados à criança. De acordo com a pastora, os áudios encaminhados à Polícia Civil registrariam supostos episódios de maus-tratos e outras situações vividas pela menina antes da internação.
“Eu não poderia ser omissa nessa situação. Eu ouvi coisas, ouvi da boca da criança e presenciei ela agonizando. Fomos nós que socorremos essa criança, chamamos o Samu e prestamos toda a assistência. Não tinha como fazer uma denúncia anônima”, afirmou.
Segundo a líder religiosa, ela optou por se identificar formalmente na denúncia por ter participado diretamente do socorro da criança e por considerar que tinha o dever de colaborar com as investigações.
Regiane também afirmou ter entregue aos investigadores áudios envolvendo o pai da menina, que, na avaliação dela, poderão contribuir para o esclarecimento dos fatos.
“Contei tudo o que eu ouvi e tudo o que eu vi. Tenho áudios que entreguei à Polícia Civil. Vou denunciar quantos casos eu presenciar desse tipo”, declarou.
Atendimento no hospital
Nos vídeos, a pastora relatou que procurou médicos e a equipe de assistência social logo após a chegada da menina ao hospital para informar a suspeita envolvendo a ingestão da substância.
Ela afirmou ainda que, posteriormente, foi orientada a não permanecer acompanhando a vítima para não interferir no trabalho das autoridades.
Supostos maus-tratos
De acordo com Regiane, a nova denúncia apresentada à Polícia Civil também reúne relatos de um suposto histórico de maus-tratos contra a criança. Segundo ela, a menina era submetida a agressões e obrigada a realizar tarefas domésticas incompatíveis com a idade.
As informações fazem parte da denúncia apresentada às autoridades e serão apuradas no curso das investigações.
Caso segue sob investigação
O caso é investigado pela Delegacia de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima (Decav). Procurada anteriormente pela reportagem, a Polícia Civil confirmou o recebimento da denúncia e informou que a delegada responsável não irá se manifestar neste momento para não comprometer o andamento das investigações.
O Ministério Público do Estado do Acre também instaurou procedimento para acompanhar o caso. A Promotoria requisitou cópia do inquérito policial, perícias sobre o produto químico e as lesões da vítima, além de informações sobre o estado de saúde da criança.
A menina permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado grave.

