O documento “Planejamento Final/Deracre” expõe o que a ex-presidente do Departamento de Estradas de Rodagens do Acre, Sula Ximenes, pensou para executar em 2026 na Operação Verão. É este documento que deve servir de referência, na próxima sexta-feira (17), quando a direção do órgão se reúne com os trabalhadores rurais para definir um novo cronograma.
Pelo que foi exigido pelos trabalhadores rurais na terça-feira (7), a governadora Mailza Assis Camelí deve participar do encontro para referendar o processo e fortalecer a liderança do novo presidente do Deracre, Gilberto Lucas de Oliveira.
No documento, ao falar especificamente sob o mais polêmico ponto de pauta junto ao trabalhador de base familiar, o Deracre é bem genérico. O tópico “Limpeza e Melhoramento de Ramais” informa apenas que será feito o trabalho em 3,5 mil quilômetros de ramais a um custo total de R$ 30 milhões. Esse custo foi amplamente veiculado durante o lançamento da Operação Verão. O custo do quilômetro limpo ou melhorado pelo Deracre sai a R$ 8.571,42.
Esse preço inclui as obras de arte (pequenas pontes e bueiros) e o Benefício e Despesa Indireta, o famoso BDI. Em uma expressão, o BDI é o lucro das empresas. Tradicionalmente, o Deracre faz os cálculos de maneira que o BDI das empresas fique em torno de 27,5%.
Ramais Asfaltados
Há previsão de melhoramento também nos ramais asfaltados. A correção de tapa buracos está prevista para o total de 101,2 quilômetros de ramais asfaltados. No total, esse serviço vais custar ao Deracre R$ 12.148.508,18. O quilômetro asfaltado custa aos cofres públicos R$ 120.044,5. A previsão de asfaltamento está documentada para os seguintes ramais:
| Nome do Ramal | Extensão (em Km) |
|---|---|
| Ramal do Mutum | 12,40 |
| Ramal Flaviano Melo | 13,60 |
| Ramal do Açaí | 8,20 |
| Ramal Antônio Costa (Alcoolbras) | 11,0 |
| Ramal Nabor Júnior | 12 |
| Ramal Granada | 12 |
| Ramal Vila Incra | 8,0 |
| Ramal Mário Lobão | 6,0 |
| Ramal Treze | 9,0 |
| Ramal do Polo | 9,0 |
Movimento de agricultores de base familiar deve pressionar para decidir quais prioridades
O encontro do dia 17 de julho deve pressionar o Governo do Acre para que os R$ 30 milhões previstos para melhoramento e limpeza de ramais sejam definidos a partir do que o movimento de trabalhadores rurais decidir.
O documento mostra que a ex-presidente Sula Ximenes planejou as ações do Deracre nas várias áreas. Há ainda detalhes como intervenções em estradas estaduais, reformas em prédios, manutenção de equipamentos em pistas e aeródromos.
O documento ao qual a reportagem teve acesso só não detalha uma informação primordial: quais os ramais que serão beneficiados com limpeza e melhoramento? E quem decidiu? É justamente as respostas a essas perguntas que a governadora Mailza Assis Camelí tem que apresentar no encontro do dia 17, na sede do Deracre, às 9 horas da manhã. “Nós queremos ouvir da boca dela”, disseram os agricultores em manifestação realizada na Assembleia Legislativa na última terça-feira.
Do ponto de vista estritamente técnico, os recursos para a execução desse planejamento foi o que motivou a saída de Sula Ximenes do Deracre. Após aceitar desistir do projeto de candidatura à Câmara Federal, Ximenes aceitou o convite da governadora de voltar ao Deracre.
A aceitação teve uma condicionante: a autonomia financeira do Deracre. Decididos os termos, Ximenes voltou ao cargo. Mas, pela justificativa apresentada no pedido de exoneração, a ex-presidente do Deracre lembrou que o acordo não foi cumprido. O vazamento do áudio do diretor de Ramais do Deracre deu início a uma crise sem precedentes no Deracre, expondo Secretaria de Estado da Fazenda Pública (Sefaz) e Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag).
Sula Ximenes tem posições públicas de apoio ao senador Marcio Bittar (PL/AC). Diretores do Deracre, sob anonimato, informam que a decisão oficial do Gabinete Civil foi de, por questões políticas, estreitar apoio aos prefeitos com os recursos do Deracre. Essa decisão contrariava o que havia sido combinado com Ximenes.

