Uma abordagem da Polícia Militar do Acre para atender uma ocorrência de perturbação do sossego terminou em denúncias de truculência e agressão física na noite de terça-feira (14), na rua Ana Neri, no bairro João Eduardo, em Rio Branco. Vídeos gravados por moradores registraram parte da ação e mostram momentos de tensão entre policiais e populares.
Segundo informações repassadas ao ac24horas, um grupo de moradores confraternizava em frente a uma residência quando equipes da PM chegaram ao local após uma denúncia de som alto. Nas imagens, é possível ver policiais armados com armas longas enquanto moradores questionam a forma da abordagem. Em determinado momento, um dos agentes utiliza spray de pimenta para dispersar as pessoas, provocando gritos e reclamações.
Em dado momento, enquanto acompanhava a atuação dos policiais com o celular, o artista e vendedor de pipocas Júlio César Oliveira, conhecido como Palhaço Alegria, que questionava quem era o sargento responsável pela ocorrência, é atingido com um tapa no rosto desferido por um dos militares que estava visivelmente alterado e cai no chão.
Logo após a agressão, o policial aparece dizendo: “Fala alguma coisa aí”, em tom de provocação. Uma mulher recolhe o celular que esta a com a vítima e afirma que o aparelho foi danificado durante a queda. Na sequência, o mesmo policial faz uma nova ameaça: “Se [inaudível], eu vou dar um tiro de borracha. Testa”.
As imagens também mostram que os demais policiais presentes, aparentemente surpreendidos pela ação do colega de farda interrompem qualquer interação com os moradores e deixam o local, comportamento que chamou a atenção das testemunhas.
Em vídeo publicado posteriormente nas redes sociais, Júlio César afirmou que ele e os amigos apenas faziam uma confraternização quando a PM chegou. Segundo ele, o grupo reduziu o volume do som assim que foi orientado pelos policiais, mas a situação evoluiu para uma abordagem considerada desproporcional. “Eu me senti como bandido. Os caras chegaram como se estivessem atacando terrorista. Somos pessoas de bem, todo mundo trabalha. Eu trabalho vendendo pipoca e algodão doce. Não posso beber uma cerveja e comer uma carne assada na frente da minha casa?”, declarou.
O artista também relatou ter sido atingido por spray de pimenta antes de receber o tapa no rosto. Ele criticou o uso de quatro viaturas e de policiais portando fuzis para atender uma ocorrência de perturbação do sossego e afirmou que um amigo chegou a ser preso, mas foi liberado posteriormente por não ter cometido qualquer crime.
Durante o desabafo, Júlio disse que pretende buscar responsabilização judicial pelos fatos. “Nem meu pai me batia na cara. O policial chegou e me deu um tapa sem eu ter feito nada. Isso não vai ficar assim. Nós vamos atrás de justiça”, afirmou.
A reportagem solicitou posicionamento da Polícia Militar do Acre sobre a conduta dos agentes envolvidos, o uso de spray de pimenta, a agressão registrada em vídeo e a eventual abertura de procedimento para apurar o caso. O espaço permanece aberto para manifestação da corporação.
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