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El Niño no Acre: Governo Federal reforça monitoramento climático com novos equipamentos e R$ 110 milhões

O Governo Federal está ampliando a estrutura tecnológica utilizada para monitorar eventos climáticos extremos e antecipar situações de risco no país. Os investimentos previstos para expansão e modernização da rede do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) somam cerca de R$ 110 milhões por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A ampliação da capacidade de monitoramento foi destacada pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, durante entrevista exclusiva ao portal A GAZETA, ao falar sobre as ações do Governo Federal diante dos possíveis efeitos do El Niño no Acre e na Amazônia.

Segundo a ministra, o papel do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) dentro da estratégia federal está concentrado justamente na produção de conhecimento e no uso de ferramentas tecnológicas capazes de antecipar cenários de risco.

“A parte do nosso ministério é eminentemente científica. A gente dá os dados para a antecipação do fenômeno, faz o monitoramento e faz a emissão de alertas”, afirmou.

O Novo PAC destinou inicialmente R$ 50 milhões ao Cemaden para ampliar a capacidade de monitoramento do órgão. Outros cerca de R$ 60 milhões estão previstos, elevando o investimento total para aproximadamente R$ 110 milhões.

Com a primeira etapa dos recursos, o Cemaden iniciou a aquisição e instalação de novos pluviômetros em 212 municípios brasileiros. Dez municípios do Acre estão incluídos nessa fase de expansão da rede.

Os equipamentos instalados em solo permitem acompanhar a quantidade e a intensidade das chuvas e também ajudam a aprimorar informações obtidas por outras tecnologias, como radares e satélites. Esses dados alimentam sistemas utilizados para identificar situações de risco e subsidiar a emissão de alertas.

Tecnologia contra eventos extremos

O reforço da estrutura ocorre em um cenário de preocupação com a intensificação dos eventos climáticos e, neste momento, com os possíveis impactos do El Niño sobre a Região Norte.

No Acre, onde secas severas nos últimos anos provocaram redução dos níveis dos rios, dificuldades de navegação e abastecimento e contribuíram para condições favoráveis às queimadas, a ministra considera necessário intensificar o acompanhamento.

“Sempre tem estiagem e seca nesse período de final de ano, mas a intensificação trazida pelo El Niño no Acre demonstra uma importância grande do monitoramento mais de perto”, disse Luciana Santos.

Além do Cemaden, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), também ligado ao MCTI, participa da estrutura tecnológica utilizada pelo Governo Federal para acompanhar o comportamento do clima e os incêndios na vegetação.

“O Inpe cuida da modelagem climática, do monitoramento das queimadas. Então, a gente entra com a parte tecnológica e os dados”, explicou a ministra.

A estratégia é fazer com que as informações produzidas pela ciência cheguem aos órgãos responsáveis pelas medidas de prevenção, assistência e resposta.

“A gente tem o papel de utilizar a ciência para monitorar os registros e alertar com antecedência os órgãos competentes para dar suporte às comunidades”, acrescentou.

Monitoramento integrado

Luciana Santos ressaltou que o enfrentamento dos efeitos do El Niño envolve diferentes áreas do Governo Federal. Enquanto o MCTI fornece informações científicas, monitoramento e alertas, outros ministérios atuam em frentes como saúde, abastecimento e assistência às populações afetadas.

A ministra afirmou que mais de 20 ministérios foram mobilizados pelo Governo Federal para preparar ações de mitigação, antecipação e resposta aos efeitos do fenômeno.

Para o Acre e os demais estados amazônicos, a tecnologia passa a ter papel estratégico não apenas para identificar uma situação já instalada, mas principalmente para antecipar cenários e permitir que os órgãos responsáveis adotem medidas antes que os impactos atinjam níveis mais graves.