Pesquisadores  realizam estudo sobre doença de Chagas em Cruzeiro do Sul

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (ICB5/USP), com sede em Montenegro (RO), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Cruzeiro do Sul, Universidade Federal do Acre (Ufac)  e  Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) deram início no dia 11 de julho  a uma pesquisa sobre doença de chagas no Vale do Juruá.

De acordo com o coordenador de Vigilância Epidemiológica, Nicolau Abdalah, a  pesquisa está sendo realizada na região devido Cruzeiro do Sul e os demais municípios vizinhos estarem localizados em uma área endêmica para doença de Chagas.

“Para nós é um grande avanço ter a parceria com a Ufac, Fiocruz e a ICB5 Montenegro, para fazer uma pesquisa não apenas sobre a doença de chagas, mas sobre seu hospedeiro, no seu vetor e nos sintomas nas pessoas que apresentam ou nas assintomáticas. Para nós essa pesquisa é muito importante, para sabermos onde realmente precisamos trabalhar e antecipar a prevenção. Assim vamos direcionar o trabalho no local correto e a população não virá a adquirir a doença”, relatou.

O estudo de campo aconteceu na Comunidade Boca do Moa nos dias 12 e 13. O local havia sido apontado como um dos pontos com maior quantidade do vetor (inseto barbeiro) nas análises de duas alunas da Ufac, que realizam sua pesquisa de mestrado nesta área.

“A pesquisa foi realizada lá para sabermos onde realmente está o foco, se a doença está só no vetor, se ele tem o triatomíneo e não está passando para população, ou se a doença está na pessoa e elas estão assintomáticas”, explicou.

Foram realizadas capturas de vetores em todas as suas fases, além de 60 coletas de sorologia, hemoscopia e PCR para Chagas, 30 atendimentos médicos, 11 eletrocardiogramas, foram instaladas armadilhas , além da coleta de mutucas e carrapatos. Até o momento não foram diagnosticadas nenhuma amostra positiva, e os eletros estavam todos sem alterações. O resultado final das amostras ainda está sendo aguardado.

Em 2019 apenas um caso de Chagas foi registado em Cruzeiro do Sul, na área do Rio Liberdade. A pesquisa acontece ainda na Comunidade Nova Cintra em Rodrigues Alves, devido o registros de casos na localidade. O coordenador da vigilância epidemiológica frisou ainda a importância da realização de pesquisas científicas como essas, com as parceria entre diversos órgãos e instituições, para juntos descobrirem e se embasarem sobre as doenças e os métodos de prevenção.

“Essa pesquisa veio para melhorar nosso diagnóstico e nos dar mais informações de onde e como está a doença”, finalizou.