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Estados temem facções criminosas e pedem ajuda nas eleições

Por Redação Juruá em Tempo.10 de setembro de 20183 Minutos de Leitura
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Pelo menos três estados pediram a presença de tropas federais na eleição de outubro para evitar a interferência de organizações criminosas no pleito. O reforço foi solicitado, ao todo, por oito estados que alegam problemas de segurança. No Rio Grande do Norte, Ceará e Acre investigadores encontraram indícios de que criminosos querem manipular o processo eleitoral.

A suspeita é fundamentada em mensagens enviadas pelas próprias facções, os chamados “salves”. Nesses informes, os bandos proíbem comunidades mais pobres, locais dominados pelo crime, de votar em determinados candidatos.

Num comunicado da facção potiguar Sindicato do Crime, obtido pelo GLOBO, bandidos proíbem moradores de algumas cidades de panfletar a favor de um dos candidatos ao Planalto. A mensagem foi entregue ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público por informantes.

NO RN, 97 CIDADES

Levantamento do Gaeco indica 33 cidades potiguares sob influência do Sindicato do Crime e da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC).

A solicitação do reforço federal foi aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na quinta-feira. O Ministério da Defesa enviará tropas para 97 municípios do estado. O tamanho do efetivo ainda será definido.

O braço cearense da facção carioca Comando Vermelho deu ordem semelhante no fim de agosto. Num informe que circula pelo WhatsApp, cuja veracidade está sendo investigada pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) do Ceará, o bando determina que comunidades sob influência do grupo não aceitem campanha de alguns partidos.

Num parecer obtido pelo GLOBO, a PRE diz que “essas associações de delinquentes buscam cada vez mais infiltração no ambiente institucional e político”. Afirma também que “a arregimentação coercitiva dos eleitores dos espaços controlados por esses ousados e equipados grupos consubstancia uma prática iminente”.

— Essa influência (das facções) aponta não só para a proibição do voto em determinados candidatos, mas também para o financiamento de candidaturas — disse Anastácio Tahim, procurador regional eleitoral.

No Acre, o TRE pediu a presença das Forças Armadas para reforçar a segurança de 11 municípios. Para o TRE, a guerra de facções “tem avançado de forma assustadora” no estado. O tribunal autorizou o envio em 7 de agosto.

Esta é a primeira eleição presidencial após o rompimento entre PCC e CV, em agosto de 2016 — o racha é uma das causas para a explosão de homicídios, em especial no Norte e Nordeste.

Até o momento, cinco estados que solicitaram tropas federais na eleição tiveram seus pedidos aprovados. O reforço ocorrerá num total de 336 cidades do Rio Grande do Norte, Acre, Rio de Janeiro, Maranhão e Piauí. Ceará, Amazonas e Mato Grosso do Sul ainda terão seus pedidos julgados. Todos citam a insuficiência do efetivo policial e problemas na segurança pública para sustentar os pedidos.

Fonte: O Globo

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