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Melhoramos no acesso, mas estamos longe de garantir permanência

Por Redação Juruá em Tempo.22 de junho de 20263 Minutos de Leitura
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No início do ano, quando foram divulgados os dados do Censo Escolar de 2025, o dado mais citado nas reportagens foi a queda atípica de matrículas no ensino médio. A série histórica do levantamento vinha demonstrando redução nesse indicador — fruto, principalmente, da diminuição das taxas de fecundidade e repetência —, mas a variação entre um ano e outro destoava do previsto. Como o MEC, de início, não deu outras respostas convincentes para a queda, pairou no ar a dúvida se estávamos diante de um preocupante crescimento na evasão entre jovens.

A resposta a essa questão veio na semana passada, quando o IBGE divulgou os dados educacionais de sua Pnad-C (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). A boa notícia é que o percentual de jovens de 15 a 17 anos matriculados ou concluintes do ensino médio aumentou, afastando os temores de que os registros do Censo Escolar indicassem algo mais grave. Mas os dados do IBGE de novo evidenciam um problema estrutural da educação brasileira: melhoramos no acesso, mas ainda estamos longe de garantir permanência —sem falar em aprendizagem, outra grave lacuna, mas que não é mensurada pelo IBGE.

A discrepância entre os sinais registrados pelo Censo Escolar e a Pnad-C é explicada sobretudo pelas diferentes metodologias. A primeira pesquisa, realizada pelo MEC, é baseada nas informações prestadas pelas redes públicas e privadas de educação, enquanto a segunda, do IBGE, coleta diretamente informações numa amostra de domicílios.

O Censo Escolar, portanto, captura apenas o que acontece nas escolas, enquanto a Pnad-C permite mensurar a população fora dela. No caso do levantamento do MEC, uma mudança na forma de coleta dos dados (ocorrida na rede estadual de São Paulo) foi a explicação mais plausível para a queda atípica no ensino médio. O importante foi que, pelos números do IBGE, houve crescimento de 77% para 81%, entre 2024 e 2025, na proporção de jovens de 15 a 17 anos estudando ou tendo já concluído o ensino médio, etapa adequada para essa faixa etária. Em 2016, essa proporção era de 68%.

Confirmar que o pior (um aumento na evasão) não ocorreu nessa faixa etária, porém, não permite muita comemoração. Como o ensino médio passou a ser de matrícula obrigatória, a meta precisa ser chegar o mais próximo possível da universalização nessa etapa. A partir dos números do IBGE, sabemos que o problema não está em crianças que jamais foram à escola.

Temos, é verdade, ainda problemas de acesso na educação infantil. Mas, na faixa etária de 6 a 14 anos, 99,5% das crianças estudam. Só que nem todos permanecem no sistema até o final da educação básica, e esse problema é obviamente mais grave em populações de maior vulnerabilidade social.

Considerando apenas os brasileiros autodeclarados pretos ou pardos, 22% dos jovens de 15 a 17 anos estão atrasados no ensino fundamental ou já abandonaram a escola, percentual que cai para 15% na população branca. O fenômeno da evasão também recai de forma desproporcional entre meninos (23% atrasados ou fora da escola dos 15 a 17, ante 16% entre as meninas) e moradores do Norte e Nordeste.

Em resumo, a Pnad-C não traz nenhum diagnóstico desconhecido. Mas os números atualizados anualmente não deixam de ser relevantes ao mostrar que, apesar de inegáveis avanços no acesso, há ainda um longo caminho a percorrer para garantir a permanência de todos no sistema.

Por: O Globo.
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