A baixa cobertura das doses de reforço contra a covid-19 no Acre tem preocupado autoridades de saúde em meio ao alerta de risco para aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo o Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado no último dia 16.
Embora o estado tenha alcançado cerca de 89% da população com a primeira e a segunda dose, a adesão às doses adicionais, consideradas essenciais para manter a proteção, segue abaixo do recomendado, principalmente entre grupos prioritários.
De acordo com a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) no Acre, Renata Quiles, a cobertura de reforço é considerada baixa entre idosos, gestantes e crianças. “As coberturas são muito baixas. Os idosos deveriam receber dois reforços por ano, as gestantes precisam de uma dose a cada gestação e as crianças devem completar o esquema básico de três doses”, afirmou.
Procura caiu, mas vírus segue circulando
Mesmo com a redução na procura, o Ministério da Saúde enviou, no último dia 22, 5 mil doses da vacina contra a covid-19 ao estado. Segundo o PNI, o volume atual atende à demanda, mas o cenário preocupa devido à circulação contínua do vírus.
“O Brasil ainda registra mortes por covid-19. É um vírus respiratório com alta capacidade de mutação, o que exige atualização constante dos reforços. A proteção cai com o tempo, e a vacina é ajustada para acompanhar as variantes”, explicou Renata.
Crianças são principal preocupação
Entre os grupos prioritários, a baixa vacinação infantil é apontada como o principal ponto de atenção. “É o público que mais nos preocupa hoje. A covid-19 continua fazendo vítimas, principalmente entre os extremos de idade, como idosos e crianças”, destacou a coordenadora.
Quem deve atualizar a vacina
As recomendações atuais do Ministério da Saúde indicam:
- Idosos (60+): duas doses por ano, com intervalo de seis meses;
- Gestantes: uma dose a cada gestação;
- Crianças (6 meses a menores de 5 anos): esquema de duas ou três doses;
- Imunocomprometidos: três doses e reforços periódicos;
- População geral (5 a 59 anos): uma dose para quem ainda não se vacinou.
A vacinação também contempla grupos específicos, como profissionais de saúde, pessoas com comorbidades, população indígena, ribeirinha e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Cenário segue em alerta
Dados até 11 de abril de 2026 apontam 62.586 casos de síndrome gripal por covid-19 e 30.871 casos de SRAG, sendo 1.456 relacionados à doença, com 188 mortes registradas.
Diante do cenário, a recomendação é que a população procure as unidades de saúde para verificar a situação vacinal e garantir as doses de reforço, consideradas fundamentais para reduzir casos graves e mortes.

