Há momentos em que a medicina ultrapassa as barreiras dos leitos, dos prontuários e dos medicamentos para curar aquilo que os olhos não veem: a alma. Foi exatamente esse cenário de puro afeto e sensibilidade que transformou a capela da Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), em Rio Branco, em um altar de recomeços e sonhos realizados nesta quarta-feira, 27.
Entre o perfume das flores, a troca de alianças, lágrimas e abraços apertados, a paciente Maria Josiane oficializou a união com o seu companheiro de vida e de batalhas, Cleusiano Ferreira.
Josiane enfrenta uma árdua luta há meses contra um câncer de colo do útero. Atualmente em cuidados paliativos, ela encontrou no amor e na dedicação incansável do parceiro as forças necessárias para seguir adiante. Ao revelar à equipe do hospital o desejo profundo de se casar, ela não imaginava que moveria estruturas em tempo recorde.
Uma corrente de amor em menos de 24 horas
Sensibilizados com a história de cumplicidade do casal, os profissionais da Unacon decidiram que o tempo não seria um obstáculo. Em menos de 24 horas, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, assistentes sociais e a direção do hospital uniram esforços, organizando cada detalhe da celebração para garantir dignidade, conforto e alegria à paciente.
A gerente-geral da Unacon, Nilciany Vilaço, expressou a emoção coletiva que tomou conta dos corredores da unidade com a mobilização:
“Hoje a gente realiza um sonho da paciente Maria Josiane. Ela está fazendo um tratamento conosco de colo do útero, tratamento esse que já está em estágio paliativo. E ela levou esse sentimento à nossa equipe, de que tinha o sonho de fazer uma união com o esposo. Porque na Unacon a gente trabalha não só como médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. A gente é realmente uma família. E ontem a gente descobriu que a Josiane tinha esse desejo de casar, e aí a gente resolveu, em menos de 24 horas, se mobilizar para tentar proporcionar esse momento a ela. E, graças a Deus, deu tudo certo, a gente conseguiu fazer com que ela realizasse esse sonho.”
O acolhimento que diminui as distâncias
A história de Josiane e Cleusiano também é marcada pela superação geográfica. Naturais do interior do estado, eles deixaram a calmaria de seu município em janeiro deste ano para buscar o tratamento especializado na capital, enfrentando a rotina das casas de apoio e a distância de casa.
Para o agora oficialmente casado Cleusiano, o sentimento que resume o momento é a gratidão profunda a cada mão estendida no momento mais delicado de suas vidas:
“Agradecer primeiro a Deus pela oportunidade que foi realizada e o sonho sobre o casamento da minha esposa aqui dentro da Unacon. Tenho que agradecer à equipe médica pelo apoio, à assistência social e pelo acolhimento que a gente teve aqui dentro da capital. Por tudo o que eles já lutaram… vindo de janeiro, de município longe, né, pra chegar até aqui, ficar em casa de apoio. E todo mundo ajudando, todo mundo cooperando, e ela está muito feliz e ele também.”
Mais do que a união civil de duas pessoas que se escolhem todos os dias diante das adversidades, o casamento na Unacon se eterniza como um símbolo vivo de humanização hospitalar. Mostra que o cuidado paliativo vai muito além de aliviar a dor física; trata-se de honrar a vida, celebrar o presente e provar que, onde existe amor, nunca é tarde demais para deixar florescer um sonho.

