Para o técnico Leonardo Jardim, as mudanças que ele fez durante o clássico entre Flamengo e Vasco, não surtiram o efeito desejado e baixaram o nível do rubro-negro em campo – a equipe vencia por 2 a 0 e levou o empate na reta final.
O que Leonardo Jardim disse na coletiva pós-jogo
O treinador português avaliou que o principal erro do Flamengo no fim do jogo foi ceder espaços para os cruzamentos do Vasco. A equipe cruzmaltina marcou duas vezes em lances de bola aérea.
Posso dizer que tivemos 75 minutos aceitáveis, com dois gols e mais algumas finalizações. Depois, entregamos o jogo ao adversário: deixamos de ganhar duelos, deixamos de pressionar nos corredores, eles cruzaram com muita facilidade e fizeram dois gols assim. Isso prejudica o jogo. O Flamengo tem que jogar. Essa é a mensagem que deixei aos jogadores.
Sou o grande responsável porque não consegui colocar na equipe jogadores que mantivessem o nível de exibição dos primeiros 70 minutos. A gente quebrou. E o adversário, pelo contrário, reagiu e teve domínio de bola, justificando o empate pelo volume de jogo que teve no fim.Leonardo Jardim
O técnico lamentou as ausências de Arrascaeta, Lucas Paquetá e Carrascal, mas ponderou que o time tinha condições de ganhar.
“Quando um jogador entra e o time está ganhando, tem mais responsabilidade. Quando o time está perdendo, o que vem é lucro, mas quando está ganhando, é necessário segurar o resultado. Isso tem que ser uma diretriz marcante na nossa equipe.”
“Não pudemos utilizar os três meias. Com certeza, perdemos algumas bolas no jogo por conta das adaptações que fizemos. […] É importante ter os meias porque nosso jogo é elaborado para jogar com pontas, meias e atacantes. Hoje tivemos os meias de fora. Mas não é uma justificativa para o empate.”
Com o empate, o Flamengo chegou a 27 pontos, seis a menos que o Palmeiras, que também empatou na rodada. Agora, a equipe rubro-negra volta as atenções para a Libertadores – o time visita o Independiente Medellín (COL) na próxima quinta (7).
O que mais ele disse
Como conter pressão com cruzamentos? Tem duas formas de lidar com o cruzamento. A primeira é evitá-los. Nós facilitamos esse tipo de jogo por não sermos agressivos nos corredores. E segundo, temos que ganhar duelos dentro da área, temos que ter atenção.
No jogo da Libertadores, o Estudiantes jogava desse jeito. E o Vasco também se aproveitou disso. Sabíamos que o Vasco estava menos cansado e que poderia forçar mais no fim do jogo. Do nosso lado, repetimos alguns jogadores, mas com nosso elenco, poderíamos ser maduros e controlar o jogo. A responsabilidade é minha.
Se temos a bola controlada, o adversário não joga. Quando o adversário jogar, temos que pressionar para eliminar as jogadas na origem. Eles também têm jogadores fortes para cabecear e para ganhar duelos. Então, foi uma questão de escala: deixamos de jogar, não evitamos os cruzamentos, e perdemos os duelos. Mas os duelos já são a parte final.
Substituições: As mexidas tiveram o objetivo de reforçar o meio-campo, de reter mais a bola, e de ter alas mais rápidos e defender os laterais. O Plata era o melhor em campo. Eu não ia tirá-lo. Decidi não mexer no volante porque queríamos manter uma certa estrutura na bola parada, mas um dos gols saiu justamente assim.
Os cruzamentos eram a arma deles. Os pontas chegavam e tentavam cruzar. O Alex Sandro é o jogador mais forte nesse tipo de jogo. A 10 minutos do fim, eu não ia colocar o Ayrton em uma situação que não é a melhor dele. Se fosse para mudar o resultado, eu colocaria, para dar qualidade na construção ofensiva. O problema não foi a pressão dos laterais, acho que foi os pontas não terem sido mais agressivos na marcação.
Recuperação de Plata e Pedro: Quando cheguei aqui, o Plata e o Pedro estavam em um momento difícil, de baixo rendimento, e eu valorizei porque são jovens e já provaram a qualidade no passado. Foi essa reabilitação que quisemos. Tivemos uma conversa aberta sobre as regras da equipe. O Plata foi reintegrado. Hoje, o Plata é crucial: atitude, entrega, performance.
Expulsão contra o Estudiantes: Minha expulsão foi injusta como a do técnico do Estudiantes. O goleiro deles empurrou o Royal, o outro jogador chegou a dar uma cotovelada e, depois, criou-se uma situação, achei que seria algo mais grave, entrei em campo e o meu colega também. Quando voltamos, fomos expulsos.
Evertton Araújo ou Pulgar? O Evertton Araújo é fundamental, tanto que temos usado muito. Mas o Erick é extraordinário. Quando se recuperar, vai treinar e mostrar competência. Hoje, se ele estivesse 100%, entraria no jogo para equilibrar a equipe no meio. Gosto muito dele. Espero que todos os lesionados se recuperem porque o desgaste é grande e precisamos de todos.
Estratégia inicial: Já jogamos com três volantes desde o início. Quando fazemos isso, os pontas têm que ser mais agressivos, atacar mais a área. Senão o jogo fica muito circulado e pouco na zona central. E eu gosto de ter três, quatro jogadores dentro da área, acho que as equipes grandes tem que ter esse volume de jogo e essa presença de área. Por isso, não gostaria de ter três volantes hoje.

