A força, a ancestralidade e o protagonismo das mulheres indígenas do Acre estão vai ocupar um dos palcos diplomáticos mais importantes do planeta. Xiú Shanenawá [Gemina Brandão Borges] foi oficialmente selecionada para o prestigiado Programa de Bolsas para Representantes Indígenas do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH/OHCHR). A formação de alto nível ocorrerá em Genebra, na Suíça, entre os dias 22 de junho e 17 de julho de 2026.
Atualmente à frente da coordenação da Sitoakore — associação que representa 18 povos indígenas espalhados por mais de 450 aldeias no Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia —, Xiú Shanenawá também é reconhecida por sua veia empreendedora e como fundadora do projeto Fadas em Ação. Recentemente graduada em Bacharelado em Administração pelo Instituto Federal do Acre (Ifac) – Campus Rio Branco, ela encara a oportunidade como um divisor de águas.
“Como mulher indígena, sair da aldeia e chegar a um espaço internacional tão importante como a ONU é motivo de muita alegria, orgulho e responsabilidade. Essa conquista não é apenas minha, mas também do meu povo, das mulheres indígenas e de todas as lideranças que lutam diariamente”, destacou a líder.

Um processo seletivo rigoroso
Conquistar a vaga exigiu superar uma concorrência global e um funil seletivo composto por três etapas eliminatórias, que incluíram uma análise curricular minuciosa, entrevista online em ambiente internacional e uma avaliação profunda de sua trajetória de articulação política, social e de defesa das pautas de direitos humanos. A aprovação foi oficializada por meio da Carta de Confirmação de Bolsa (Fellowship Award Confirmation Letter), emitida pela Seção de Povos Indígenas e Minorias da ONU.
O documento reforça que o objetivo do programa é aprimorar a capacidade profissional de líderes para que apliquem esse conhecimento técnico ao retornarem aos seus países de origem.
Impacto prático na luta coletiva
O programa da ONU visa dar ferramentas técnicas para que lideranças tradicionais saibam como acionar mecanismos internacionais de proteção, promovendo incidência política direta nos debates globais sobre clima, justiça social e território. Para Xiú, essa conquista técnica chega para somar à sua bagagem acadêmica e prática, promovendo um fortalecimento curricular e político após sua recente graduação em Administração, o que deve ampliar sua visão para ocupar espaços de decisão.
Além disso, ela destaca que todo o conhecimento adquirido em direitos humanos irá fortalecer sua atuação na defesa coletiva de seu povo, de outras etnias e da população em geral. Essa presença de Gemina em Genebra consolida, de forma marcante, a voz e o papel central que as mulheres indígenas vêm desempenhando na linha de frente contra as crises climáticas e na salvaguarda dos saberes ancestrais da Amazônia.
Antes de embarcar para a Europa, a coordenadora passará por uma formação preparatória em Brasília (DF), levando na bagagem a responsabilidade ecoar a voz de milhares de indígenas da Amazônia Ocidental frente à comunidade internacional.

