Em entrevista exclusiva ao portal A GAZETA, Adem Araújo revelou que a decisão foi motivada pela observação atenta do cansaço físico e mental das equipes e pelo movimento que tomou conta das redes sociais e das ruas nos últimos meses.
“Estamos acompanhando um movimento que já ganhou força nacional. Diante desse cenário, optamos por não esperar e decidimos nos antecipar e testar, na prática, o modelo 5×2 dentro da nossa operação”, explica o empresário e proprietário de umas das redes de supermercados mais conhecidas do estado.
Para Adem, o foco não é apenas operacional, mas humano. O setor de supermercados é conhecido por jornadas exaustivas e escalas rígidas, o que muitas vezes afasta novos talentos.

“A proposta é clara: proporcionar mais qualidade de vida, equilíbrio emocional e tempo com a família, entendendo que esse cuidado com as pessoas reflete diretamente na performance dentro da empresa”, revelou o empresário.
Como funciona o teste
O projeto-piloto completou 30 dias na frente de caixa da loja do Bosque. Segundo a direção da rede, o período serviu para avaliar se a loja conseguiria manter o padrão de atendimento sem aumentar o quadro de funcionários de imediato, focando na redistribuição das tarefas e na eficiência.
Os resultados positivos já impulsionam a expansão. A partir deste mês de maio, o modelo 5×2 avança para as unidades Aramix Jardim Alah, Betel e Tangará. O plano é ambicioso: se os indicadores de produtividade e satisfação continuarem subindo, a escala será levada para todos os setores e lojas da rede.
“Sabemos que, no curto prazo, essa mudança pode impactar a nossa operação, mas a expectativa é que, com colaboradores mais satisfeitos e descansados, tenhamos ganhos consistentes em produtividade. É uma construção responsável”, pontua o empresário.
Proposta pelo fim da 6×1
A iniciativa do Arasuper acontece em um momento no qual a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com a escala 6×1 ganha tração no Congresso Nacional. O movimento, impulsionado pelo grupo “Vida Além do Trabalho” (VAT), argumenta que a folga única semanal é insuficiente para a recuperação plena do trabalhador.
Enquanto o Arasuper avança na prática, o debate em Brasília segue o rastro das assinaturas e do apoio parlamentar para que o projeto ganhe fôlego nas comissões.
A proposta central foca na redução da jornada de 44 para 36 horas semanais, sem qualquer corte nos salários, um ponto que gera resistência em setores da indústria e do comércio tradicional devido ao temor pelo aumento de custos. No entanto, o pioneirismo acreano surge como um contra-argumento real, provando que o setor de serviços pode, sim, encontrar caminhos viáveis e sustentáveis por meio de uma gestão estratégica e humanizada.
Além do bem-estar, a medida ataca um problema crônico do varejo: o absenteísmo (faltas) e a rotatividade de funcionários. Ao oferecer uma escala mais atrativa, o Arasuper espera se tornar o destino preferencial de bons profissionais no estado. “É alinhar resultado operacional com valorização das pessoas”, finaliza Adem Araújo.

