Após ver o crescimento econômico acelerar no primeiro trimestre, a economia do Brasil voltará ao posto de décima maior do mundo em 2026, ao ultrapassar o Canadá, conforme projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). De janeiro a março, o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos na economia brasileira, registrou uma alta de 1,1% , após encerrar o ano passado com o crescimento acumulado de 2,3%, informou o IBGE nesta sexta-feira.
Ano passado, o Brasil ficou de fora do top 10, segundo os dados do organismo multilateral.
Considerando o desempenho do primeiro trimestre, o Brasil teve o sexto melhor desempenho entre 45 das principais economias do mundo, segundo ranking elaborado pela Austing Rating. O dado considera a alta de 1,1% do PIB brasileiro no primeiro trimestre, na comparação com o quarto trimestre de 2025. Só Hong Kong, Taiwan, Dinamarca, Coreia do Sul e China tiveram desempenho melhor.
Considerando os tamanhos dos PIBs globais, pelo ranking do FMI, tanto em 2024 quanto em 2025, a economia brasileira foi a 11ª maior do mundo. Veja abaixo a evolução dos PIBs das maiores economias do mundo, conforme as mais recentes projeções do FMI, que vão até 2031:
A comparação das projeções do FMI para o Produto Interno Bruto (PIB, valor de todos os bens e serviços produzidos numa economia) em valores correntes dos países é feita em dólares.
Isso significa que o tamanho da economia de cada país a cada ano depende tanto do crescimento econômico de cada período quanto da taxa de câmbio entre as moedas locais e a divisa americana.
Quando a taxa de câmbio cai (a cotação do dólar fica menor), o PIB do Brasil em dólares aumenta, mesmo que o crescimento econômico mantenha seu ritmo inalterado.
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Em 2025, o dólar se desvalorizou na Rússia, o que fez o PIB russo aumentar. No caso do Brasil, o câmbio caiu mais para o fim do ano, em movimento que vem se mantendo desde o início deste ano, o que ajuda a explicar o avanço da economia brasileira de volta ao top 10 global.
Brasil crescerá mais este ano, segundo FMI
Em abril, o FMI revisou sua projeção para o crescimento do PIB brasileiro neste ano para 1,9%, ante a previsão anterior de 1,6%, segundo relatório Perspectivas da Economia Mundial (WEO, na sigla em inglês).
Nas contas dos economistas do organismo multilateral, a melhora do desempenho do Brasil está na contramão da economia global. O FMI reduziu a estimativa para o crescimento econômico mundial para 3,1% este ano, ante os 3,3% previstos antes.
Tudo por causa da alta nos preços dos combustíveis e demais derivados do petróleo, provocada pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã — o que a Agência Internacional de Energia (AIE) considera como o maior choque do petróleo da história.
A Rússia também teve a projeção de crescimento revisada para cima este ano, de 0,8% para 1,1%. Segundo o FMI, a disparada nas cotações do petróleo por causa da guerra beneficiarão os PIBs russo e brasileiro, já que, com o pré-sal, o Brasil se tornou exportador líquido da matéria-prima.
Nona posição, em 2027
Para 2027, a estimativa é de crescimento de 2% do PIB brasileiro, levemente acima do previsto para este ano, mas 0,3 ponto percentual abaixo da projeção anterior do FMI, por causa da “desaceleração da demanda global, dos custos mais altos de insumos (incluindo fertilizantes) e de condições financeiras mais restritivas”.
Mesmo assim, o Brasil seguirá galgando posição entre as maiores economias do mundo. Nas projeções recém-atualizadas do FMI, após ficar na 10ª posição este ano, logo atrás da Rússia, a economia brasileira deverá superar a russa em 2027, chegando à nona posição, logo atrás da Itália.
As estimativas do FMI vão até 2031. Pelas contas, em 2028, será a vez de ultrapassar a Itália, com o Brasil ficando na posição de oitava maior economia, atrás da França, posto que deverá manter até a virada da década.
No longo prazo, a principal tendência, mantida nas projeções, é a ascensão da Índia, país mais populoso do mundo. Segundo o FMI, em 2031, a economia indiana deverá ultrapassar a Alemanha e assumir o posto de terceira maior do mundo, atrás dos EUA e da China.
PIB per capita, ranking dos mais ricos
Apesar da posição relevante do Brasil no tamanho do PIB anual, o indicador nem sempre é a melhor referência de riqueza de um país. No agregado, é esperado que países populosos, como EUA, China, Índia e Brasil — o sétimo maior em número de habitantes — gerem muito PIB, porque têm mais gente trabalhando.
Para medir o quão rico é um país, muitos economistas preferem olhar para o PIB per capita — indicador que pondera o nível do valor agregado na economia pelo tamanho da população.
Nessa métrica, o ranking de 2025 foi liderado pelo Principado de Liechtenstein, encravado entre a Suíça e a Áustria, com apenas 40 mil habitantes e PIB per capita de US$ 217.927,88. O segundo mais rico do mundo, com US$ 148.246,98, é o Grão-ducado de Luxemburgo, outra cidade-estado europeia, entre França, Bélgica e Alemanha, onde vivem 700 mil pessoas.
Os EUA, maior PIB do mundo, caem para oitava posição no ranking dos mais ricos de 2025, quando se considera o tamanho da população. Terceiro mais populoso do mundo, é o único país que figura no topo tanto dos maiores PIBs quanto dos maiores PIBs per capita.
O Brasil registrou em 2025 um PIB per capita de US$ 10.685,69, segundo o FMI. É logo abaixo da Albânia, com US$ 11.234,556. E logo acima de São Vicente e Granadinas, com US$ 10.572,654, conforme os dados do FMI.

