O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta segunda-feira que “aguarda com expectativa” a oportunidade de trabalhar com o presidente eleito da Colômbia, o direitista Abelardo de la Espriella. Ele venceu por menos de um ponto percentual o senador Iván Cepeda, aliado do primeiro presidente de esquerda do país, Gustavo Petro. Sua vitória encerra o parêntese aberto pela esquerda há quatro anos em um país que, durante dois séculos, foi governado por elites de direita.
“Parabenizo ‘El Tigre’!”, como De la Espriella é conhecido, declarou Trump em sua plataforma Truth Social. “Espero trabalhar para construir uma relação sólida entre a Colômbia e os Estados Unidos, que trará novos patamares de excelência para nossos dois países”, acrescentou o presidente republicano, que rapidamente declarou seu apoio a de la Espriella assim que o político colombiano surgiu nas pesquisas.
Plano Colômbia II
A Colômbia, maior produtora mundial de cocaína, volta a ser governada por um aliado de Washington em um momento em que Trump intensifica a perseguição às máfias na região.
Com Petro, as relações com Washington ficaram tensas, e a Colômbia foi excluída da aliança anticrime “Escudo das Américas”, integrada por países americanos e liderada por Trump.
De la Espriella, cidadão colombiano e americano que se identifica como “republicano”, busca incorporar o país a essa aliança e prometeu combater duramente o narcotráfico com bombardeios, erradicação de cultivos ilícitos com herbicidas e presença de bases militares americanas em território colombiano. Ele batizou sua iniciativa de “Plano Colômbia II”, em referência à cooperação milionária de Washington com Bogotá no início do século, que encurralou as guerrilhas.
Inspirado nos presidentes de El Salvador, Nayib Bukele, e do Equador, Daniel Noboa, De la Espriella quer construir dez megapresídios para prender criminosos “a dez andares abaixo da terra”, onde serão alimentados com “pão e água”, prometeu. Esse tipo de prisão de segurança máxima gerou alertas de organizações sobre possíveis violações de direitos humanos.
Os adversários de De la Espriella veem traços autoritários em seu discurso, e especialistas alertam para uma possível escalada da violência decorrente dessa estratégia.
O presidente eleito também propõe flexibilizar o porte de armas para civis.
Adeus às Nações Unidas?
Em matéria de cooperação, De la Espriella afirma que está disposto a revisar a permanência da Colômbia em entidades como as Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos (OEA).
Atualmente na presidência pro tempore do Conselho de Segurança da ONU, a Colômbia teve papel em debates sobre paz e segurança na região. De la Espriella considera que essas organizações são um “diretório político da esquerda” e que “não serviram para nada”.
O jurista também sugeriu a possibilidade de retirar a Colômbia da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que considera uma “farsa”. Ele também quer fechar parte das embaixadas da Colômbia no exterior e transformar as que permanecerem abertas em centros de negócios.

