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Falta de pagamento paralisa transporte escolar e expõe crise de prioridades na gestão municipal de Rodrigues Alves

Motoristas e monitores do transporte escolar de Rodrigues Alves decidiram paralisar totalmente suas atividades devido ao atraso no pagamento de salários. Parte da equipe já acumula cerca de dois meses e meio de trabalho sem receber seu pagamento, uma situação que paralisa a rotina de dezenas de estudantes que dependem exclusivamente dos ônibus para chegar às salas de aula.

A crise escancara um cenário alarmante de descaso com a educação e com a valorização do trabalhador municipal. Enquanto os profissionais do transporte cobram uma solução definitiva da administração pública, o sentimento entre os trabalhadores é de revolta diante da disparidade das prioridades do Poder Executivo.

O ponto mais crítico da insatisfação popular recai sobre a contradição entre os cofres públicos zerados para a folha de pagamento e a fartura de recursos destinados à realização de grandes eventos. Enquanto a Secretaria Municipal de Educação alega falta de verba para quitar os salários, a prefeitura movimentou volumosos gastos recentemente para a realização do Festival da Banana.

A monitora Patrícia Silva, mãe solo responsável pelo sustento de duas crianças, falou sobre a dura realidade enfrentada pelos servidores:”O que gera mais revolta na gente como funcionário é que existe dinheiro para vários eventos. Teve o Festival da Banana e eles tiveram muitos gastos (…) Todos nós somos pais e mães de família. Preciso todos os dias trabalhar para dar o sustento deles. Porém, quando chega o final do mês, o que a gente recebe é eles falarem que não tem dinheiro”, desabafou.

Além dos atrasos que se arrastam desde o início do ano letivo, a postura da gestão municipal diante do impasse tem sido encarada como desrespeitosa. Segundo relatos da categoria, a resposta dada aos trabalhadores que buscaram explicações foi de que “não há previsão de pagamento” e de que “quem quisesse sair, que saísse”.

Cansados de promessas não cumpridas, a maioria dos trabalhadores recusou convites para reuniões paliativas. O movimento também ganhou o reforço de motoristas contratados por processo seletivo — que, mesmo com os proventos em dia, cruzarão os braços em solidariedade aos colegas que estão há quase três meses sem receber.

A paralisação segue por tempo indeterminado. Até o momento, o prefeito e a Secretaria de Educação não apresentaram um plano real de contingência para garantir o transporte das crianças nem um cronograma para a quitação das dívidas com os trabalhadores.