Associação de Cornos vai escolher o chifrudo do ano no Acre

Corno tem de tudo que é tipo. O amnésia, que bebe e esquece o chifre. O ateu, que não acredita. O churrasco, que bota a mão no fogo pela mulher. O geladeira, que não esquenta. O repetente, que troca de mulher e leva chifre de novo. O coquetel, que tem uma dose de cada um dos anteriores. E por aí vai. Essa turma na galhada tem encontro marcado em 15 novembro para a entrega do troféu Corno do Ano. E como todo castigo pra corno é pouco, vai ser em Rio Branco, no Acre.

O concurso será promovido pela Ascornac, a Associação dos Cornos do Acre, fundada em 2007 por um grupo de seis amigos que se solidarizaram com um vendedor de CDs piratas conhecido como “Louro”, que tentou se jogar da ponte ao receber o primeiro par de chifres. Tal qual dor de dente, incomodou, mas o cornélio logo se habituou ao novo apêndice ósseo. Quem botou a ideia na cabeça dos outros foi o chefe de cozinha Tiago Farias, 37 anos, presidente da Ascornac. “Passei cinco anos em Rondônia, voltei em 2018 e registrei a Ascornac em cartório. Hoje temos 3 mil associados”, diz.

A festa da boiada acreana será no Bartô Pub, um ponto conhecido na cidade com entrada franca. Tiago espera reunir 700 cornos e cadastrar cerca de 300 novos filiados (o teto deve ficar bem arranhado). Além do troféu Corno do Ano para o traído que contar a história mais comovente, ganharão medalhas de honra ao mérito ao corno que superou o chifre e ao que mais serviços prestou a comunidade.

“O corno é um bicho sofrido, um ser discriminado. Precisamos criar um Centro de Recuperação ao Corno”, defende Tiago, que também pretende criar a Marcha do Corno, com direito a feriado municipal. “Já temos Parada Gay e Dia da Oração. Por que não a Marcha do Corno”, argumenta. Enquanto a marcha não entra no calendário oficial da cidade, a turma da galhada pode ganhar descontos em bares e casas de tolerância para amainar as dores no coração e na testa.

Habita Corno: casa para os ‘desamparados’

Apesar de o presidente da Ascornac afirmar que o Acre é uma “fábrica de cornos”, o estado não é o único a reunir galhados e defender a “categoria”. Em Porto Velho, o funcionário público Pedro Soares, 61 anos, preside a Associação dos Cornos de Rondônia (Ascron), que ele garante ser a primeira do tipo, fundada há 24 anos, reunindo 18.998 associados. Além de oferecer apoio psicológico e jurídico, a associação quer criar o programa Habita Corno, para proporcionar moradia aos traídos. “Quando o associado fica desamparado ele precisa de um lugar para recomeçar a vida”, argumenta. “O Habita Corno está tramitando na Câmara de Vereadores, vai para os deputados e depois para Brasília”, aposta o presidente da Ascron, que já se tornou figura folclórica na capital rondoniana. Segundo Soares, os associados são de várias orientações. “Tem homem, mulher, gay, lésbica, tem de tudo”, diz.

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