O Acre está no radar das estratégias do governo federal para ampliar as exportações brasileiras e fortalecer a bioeconomia na Amazônia. A afirmação foi feita pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, nesta terça-feira, 24, ao responder uma pergunta enviada pelo portal A GAZETA sobre investimentos, financiamento e oportunidades para os produtos acreanos no mercado nacional e internacional.
Ao comentar o potencial econômico do estado, o ministro destacou que o Acre possui vantagens competitivas ligadas à biodiversidade amazônica e afirmou que pretende apresentar medidas voltadas ao fortalecimento desse setor durante visita ao estado, marcada para o próximo dia 1º de julho.
Visita ao Acre terá foco em exportações
Segundo Márcio Elias Rosa, a agenda no estado será dedicada ao diálogo com empresários, produtores e representantes do setor produtivo para discutir formas de ampliar a participação do Acre no comércio exterior.
O ministro destacou que a proposta não será anunciar novas linhas de crédito específicas, mas apresentar ações já estruturadas pelo governo federal, pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), pelo BNDES e outros órgãos voltadas à ampliação das exportações.
“Vamos nos reunir com todo o setor privado, com todo o setor produtivo, numa discussão importantíssima justamente de modos de acessar o comércio exterior”, disse.
Segundo ele, o Acre já vem registrando avanços no comércio internacional e possui condições favoráveis para ampliar sua participação em novos mercados.
Acordo Mercosul-União Europeia no centro das discussões
Um dos principais temas da visita será o acordo comercial firmado entre Mercosul e União Europeia após quase três décadas de negociações. Durante a entrevista, Márcio Elias Rosa classificou o tratado como uma das maiores oportunidades recentes para os produtores brasileiros.
“O Mercosul e a União Europeia firmaram esse acordo depois de 26 anos de negociação. É um bloco de aproximadamente 720 milhões de consumidores e um PIB de cerca de 22 trilhões de dólares”, afirmou.
Segundo o ministro, empresas e produtores que conseguirem alcançar competitividade terão acesso facilitado a um dos maiores mercados consumidores do planeta.
A expectativa do governo federal é que setores ligados à produção sustentável, à agroindústria e à bioeconomia estejam entre os mais beneficiados pela ampliação das relações comerciais.
Bioeconomia aparece como aposta para o Acre
O ministro citou o Acre como uma das referências nacionais quando o assunto é aproveitamento sustentável dos recursos naturais. Segundo ele, o estado reúne condições para agregar valor à biodiversidade amazônica e desenvolver novos produtos voltados aos mercados nacional e internacional.
“Nós temos, e o Acre é uma referência, a possibilidade de produzirmos a partir da riqueza natural, que é a bioeconomia e a biodiversidade”, afirmou.
Além da produção agrícola tradicional, o ministro destacou oportunidades em setores ligados à indústria de cosméticos, produtos farmacêuticos e tecnologias baseadas na floresta.
“Podemos produzir não apenas commodities, como café e soja, mas também atuar em áreas como cosméticos e farmacêuticos, onde há muitas pesquisas sendo realizadas”, acrescentou.
Embora não tenha detalhado medidas específicas para infraestrutura durante a entrevista, o ministro afirmou que o governo trabalha em conjunto com diferentes instituições para ampliar as oportunidades de exportação e reduzir obstáculos ao acesso ao comércio internacional.
O ministro também destacou o trabalho realizado pela ApexBrasil nos últimos anos e fez referência ao ex-governador do Acre e ex-presidente da agência, Jorge Viana. “O Jorge Viana fez um trabalho magnífico. Ele é uma referência quando se fala em Amazônia”, afirmou.
O ministro disse ainda esperar encontrar Jorge Viana durante a visita ao Acre para discutir estratégias relacionadas à expansão do comércio exterior e ao fortalecimento da bioeconomia amazônica.

