Rio Branco, Acre, 27 de outubro de 2020

Pandemia provoca redução de 65% no número de transplantes de órgãos no Acre

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Com 80 pessoas na fila esperando por transplantes de fígado, rins e córneas, o Acre teve uma queda de 65% no número destes procedimentos neste ano por causa da pandemia de Covid-19.

A coordenadora da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO), Regiane Ferrari, informou ao G1 que neste ano foram feitos apenas 13 transplantes – 10 córneas e três de fígado. No ano passado, foram 37 procedimentos – 23 córneas, quatro de rins e 10 fígados.

“Ano passado, nós tivemos 37 transplantes e nesse ano tivemos 13. Aconteceu a fatídica pandemia e isso não foi só no Acre, ocorreu em todo Brasil. Diminuiu o número de doadores por conta da Covid e todo estado de emergência que voltou todas as atenções para a pandemia”, disse Regiane.

Ao todo, no Acre, já foram realizados 402 transplantes, desde 2006, quando o procedimento começou a ser feito no estado.

Neste mês é celebrado o Setembro Verde e no dia 27 o Dia Nacional de Doação de Órgãos, que tem como objetivo sensibilizar a sociedade sobre a importância da doação de órgãos.

‘Preocupante’

Com 80 pessoas na fila, a coordenadora afirma que a situação é preocupante.

“É muito preocupante, porque muitas vidas estão sendo ceifadas. Os pacientes em lista vão a óbito porque não conseguimos o órgão em tempo hábil. E as pessoas vão piorando, muitos faleceram por falta do órgão, que, devido a pandemia, diminuiu o número de doações”, lamentou.

A partir de agora, Regiane disse que as equipes vão intensificar as buscas nos hospitais, que antes estavam sendo feitas de forma remota, mas, volta ser presencial.

“Trabalhar os profissionais na área de saúde e a comunidade em geral para que fale sim e a gente tente sensibilizar as pessoas e mexer nessa lista. Mas, é preocupante e vai demorar um tempinho para ela começar a andar um pouco mais”, disse.

O Acre, segundo a coordenadora, é um dos estados com maior recusa de familiares por fazer a doação de órgãos.

“A família não acredita que seu ente querido está morto, acha que ainda vai haver um milagre, que a pessoa morta vai sentir alguma coisa em retirar os órgãos, muitas questões religiosas, e nós temos que respeitar”, pontuou.

Regiane acrescentou que a doação, hoje, não é mais presumida, mas consentida. Então, é necessário apenas deixar a família consciente do desejo de doar ou não. Porque fica mais fácil para a família decidir.

Fonte:G1Acre.

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