Em São Paulo, homem detido após criticar PM nas redes é obrigado a gravar vídeo pedindo desculpas

Um homem foi detido nesta quarta-feira (1º/5), em São Carlos, Interior de São Paulo (SP), após postar comentários em sua página nas redes sociais em que faz críticas à atuação da Polícia Militar durante uma confusão na Festa do Clima, que aconteceu na noite de terça-feira (30), em que a PM fez disparos de bombas de efeito moral e balas de borracha e prendeu 11 pessoas.

De acordo com reportagem do G1, entre mais de 500 comentários de um vídeo sobre o evento, com imagens da atuação dos policiais, o que incomodou os policiais foi o de um homem postado por volta das 10 horas em que afirma que a PM ‘faz merda’, é um ‘bando de despreparados’, um ‘órgão do estado sem credibilidade’.

Menos de duas horas depois o homem foi detido e levado ao Plantão Policial onde foi aberto um Boletim de Ocorrência registrado como ‘não criminal’, ou seja, não houve crime, apesar do homem estar algemado.

Apesar de não haver crime, no B.O. consta que dois policiais compareceram a delegacia conduzindo o homem algemado por “risco de fuga”. Ele contaram que por volta das 11 horas tomaram conhecimento de que ele estaria postando no Facebook dizeres ofensivos em relação à atuação da Polícia Militar na Festa do Clima.

Os policiais disseram que o reconheceram por ele ser de uma torcida organizada de São Carlos e o abordaram na rua. Ao ser questionado, o homem reconheceu ter feito a publicação, pois no local havia pais de família e crianças, que nenhum policial foi nomeado nas postagens e que nenhuma ofensa foi proferida diretamente a qualquer patrulheiro que participou da abordagem.

Horas depois do registro do B.O., um vídeo circulou nas redes sociais mostrava o homem sentado no chão e algemado, respondendo ao comando da pessoa que gravava que mandava pedir desculpas pelas supostas ofensas.

“Cê não é cheio, cê não é eloquente para escrever, então fala, meu!”, diz o autor do vídeo.

Em entrevista ao G1, o advogado José Pereira Reis, membro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Carlos, classificou a detenção do homem como ilegal e abuso de autoridade.

“Eu considero que houve abuso de poder, porque mesmo que ele tivesse se dirigido a um policial específico não poderia ter sido preso, muito menos algemado, uma vez que não é prisão em flagrante”, afirmou.